segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Saudades da minha Infância

Olá pessoal,




Espero que tenham passado bem o final de semana. Hoje quero partilhar com vocês um dos textos mais profundos que pude escrever, identificando a minha realidade que acredito ser também a realidade de muitos outros.

Tema: Saudades da minha infância

Saudades...

Saudades sinto daquele tempo..

O tempo em que valia a pena ser criança...

Valia a pena, pois na infância tínhamos o real significado de esperança...

Não tínhamos muito mas o pouco que havia chegava para todos...

Havia brinquedos sofisticados. Mas os bonecos de fios, de lodo e carros de lata eram os mais procurados...

A bola de trapos e sacos servia de Jabulani na altura. E em longas partidas já representávamos Akwá, Maradona, Rivaldos e companhia...

Não tínhamos Facebook, Whatsapp nem Unitel

Mas eramos sempre mais próximos e sempre uns com os outros, muito antes da Movicel...

Não tínhamos Zap mas a TPA já era a nossa televisão.

Saudades...

Saudades dos tempos de dirigentes...

Orientando equipas de jogadores feitos em pedra ou rolhas.

E juntos alinhavamos em campeonatos de Boquiqui que englobava várias batalhas.

Ninguém ligava para ninguém mas ninguém esquecia da hora exacta para o salva ovas ou bica bidom...

Aquele tempo era tão bom. Tão bom que sabia doce que nem bom bom...

Saudades...

Sinto saudades do ficou... E daquele que o cocó do meio tirou...

Diante do bumbo ou do Rambo ou tempo não passava. Mas ao ritmo da Clélia Sambo algo como dança já se esquematizava...

O cambuá não estava. O pengua nem sequer existia como palavra.

Mas a cassumuna era a dança que nos alegrava do mosaico até a areia da lavra...

Dançávamos de alegria.. Rasgávamos e roçávamos os calções... Dançávamos para nos darem gasosa...

Mas no meio do papá mamã ninguém queria ser filho e todos queriam ser o esposo e a esposa...

Saudades...

Das lendárias caças aos gafanhotos catululos nos domingos após a igreja...

Já éramos pescadores nas lagoas e praias da samba onde apanhávamos peixinhos bagudas e espadas, rabos de fogo e até cacussos..

Tomávamos banho de água salgada.. E a superstição dizia para não mencionar o último pino ou o pino de despedida...

Com água doce safávamos os corpos na chegada a casa... com o intuito de não apanhar porrada..

E ainda trepávamos grandes árvores em busca de figos, azedinhas, mangas ou gajaja..

Os nossos grupos de luta... Forrados ao tronco, travávamos batalhas longas com bastões em papelão enrolado.

Todos cansados... Mas ao mesmo tempo satisfeitos...

Os filmes eram antiquados e repetitivos... Mas sabiam sempre como novo

Pois para as crianças vale sempre a pena ver de novo...

Saudades...

Ai que saudades...

Fugíamos a raposa e espalhávamo-nos no meio da floresta...

As mesmas coisas de segunda a sexta...

Sem telefones que tocam, sem tarraxinha ou quadradinho

Mas em rodas organizadas, os tongas e massembas alegravam o nosso cantinho.

A fininha passava e chamávamos belezura.. quem não dançasse a mãe era mbica...

Ao ritmo do ouvi dizer revelávamos as paixonetas..

Era tão bom... Mas tão bom

Que se pudesse vivia novamente... Quiçá para sempre...

A tabuada era um assunto sério. E na hora da saída todos queriam estar no lugar do primeiro.

A palmatória se fazia sentir... e para o que não fizesse a tarefa tinha de se preparar pois a palmatória iria sentir.

Oh Palmatória...

O natal era mítico... Único e entusiasmante... Estreávamos as roupas novas que guardamos na mala feito diamante.

Tenho esperança de um dia reencontrar estes tempos mesmo que não sejam vividos novamente por mim...


Acredito que muitos irão se identificar com este texto pela realidade que acarreta.

Por: Emerson JC Lourenço AKA Daltton

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