sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A máscara do aparecedor


Olá Pessoal,
Último dia da semana, dia do homem e o dia em que o gato põe-se de pé...
Hoje trago para a reflexão, o relato de uma personagem que acredito que exista no seio de convivência de todos nós. Aqueles que vivem basicamente de aparências e julgam ser capazes de quase tudo.

Aqui vamos...

O Big Boss

A máscara do aparecedor

O aparecedor, neste baile de máscaras é basicamente aquele cidadão que vive e ostenta de uma imagem que não lhe pertence. É um cidadão visto como camaleão a tentar se passar por leão enquanto é na verdade um simples rato. A sua máscara admite várias configurações mediante o ambiente em que se encontra e é isto que faz dele o cidadão mais mascarado dentro do baile pela forma como o mesmo, com apenas uma máscara consegue admitir várias imagens dentro do mesmo baile.


Mesmo sem finanças estáveis ou um emprego que lhe permita se virar com alguma mobilidade, o aparecedor está sempre bem vestido e sempre bem-disposto a causar uma boa impressão a seu respeito. A sua imagem é impecável e ele tudo faz para não compromete-la.

Frequenta os locais mais luxuosos e tem supostamente as melhores amizades. Das mesmas amizades depende grande parte das suas acções pois além de apoio moral e elevação da auto-estima, o aparecedor recebe dos amigos, bens materiais que lhe permitem desbundar por aí.

O aparecedor tem um carro de luxo mas não tem uma casa decente. O mesmo vive em um quarto de aluguer e em condições aparatosas. O seu exterior é mais importante do que o interior, ou seja, a sua vida decorre fora de casa e dentro dela não há o que fazer.

O aparecedor é intermediário, é mixeiro**, é um cidadão que na burla vê benefícios e em um fato de marca ostenta a imagem do riquinho**. É um aproveitador nato e chega a ser muito inteligente para o contexto em que está inserido. A sua máscara é difícil de manter a face pela complexidade que a mesma acarreta e só os melhores bajuladores a conseguem usar.

O Big Boss tem tanto num dia que não precisa poupar. Ele vive o momento. Sujeita-se a trabalhar atrás da micha** durante o dia para durante a noite esbanjar e manter a sua brilhante imagem daquele que tudo paga. O Big Boss é totalmente comprometido com a sua causa.

O Aparecedor é actualizado e sabe sempre dos factos que circulam pela alta sociedade.


O aparecedor nunca saiu de Angola, pouco lê mais conhece imensos locais no exterior e no interior do país e com alguma ousadia e propriedade fala dos mesmos, fruto de relatos e ouvi dizer dos seus amigos manda chuvas que de alguma forma funcionam como escolas de formação e alimentação da sua imagem de boss.

O Aparecedor é primo de figuras e sobrinho de dirigentes. É um cidadão muito conhecido e querido no seu seio. Ele faz acontecer e consegue fazer chover onde há sol. A sua máscara dá-lhe muitos benefícios desde fama, mulheres e um mérito que não lhe é merecido.

O mesmo faz inúmeras promessas a pessoas diferentes, pede empréstimos a sua máscara vem ao chão quando a realidade lhe bate a porta e na primeira pessoa lhe vai cobrar o tempo perdido e aí não tem volta. Paga com o que lhe resta: saúde, integridade e a sua imagem de ostentação. Depois de perdidos estes recursos, a realidade torna-se mais dura para ele pelo facto de perder o prestígio perante as pessoas que agora lhe vêem como mais um e a coisa só piora quando as dividas e promessas começam a ser cobradas.


Nesta fase a vergonha e a desilusão abraçam o Big Boss e com ele caminham diariamente até que o mesmo venha tomar consciência para ganhar a vida de forma mais íntegra ou ainda para preparar a sua nova investida, rumo a novos e mais sofisticados aparecimentos, visto que os seus métodos e a máscara anterior já foram descobertos e perderam a sua validade no tempo e no espaço.


Bom final de semana....

Por: Emerson JC Lourenço AKA DAltton

Em: "O Baile de Máscaras"
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